A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Indaiatuba incluiu no ano passado nove alunos no mercado de trabalho da cidade, entre comércios e indústrias. A atitude cumpre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB- LF nº 9394/1996), que atribui à Educação Profisional uma abrangência que se estende desde o reconhecimento do valor educativo do que se aprendeu na escola e no próprio ambiente de trabalho, até a possibilidade de expandir a sua formação continuada. Os jovens Antonio Avelino Junior, 18 anos, e Rafael Lemos da Silva, 17 anos, são exemplos de que a inclusão de deficientes intelectuais agrega benefícios para os novos funcionários, e também para as empresas.
“Esse é o meu primeiro emprego e gosto de fazer tudo o que me pedem. Me sinto completo trabalhando, pois assim não preciso depender do meu pai e nem da minha família”, avalia Junior, que trabalha no refeitório da Singer. “Aprendo muito com o Antonio, e ele é bem útil para nós do restaurante e dedicado demais”, comenta Casiandra Silva Camara, gerente do restaurante da Singer, onde Antonio trabalha.
A diretora da escola, Ângela Maria Prandini, explica que os alunos inseridos no mercado de trabalho participam do programa de oficinas pedagógicas e são treinados e preparados por uma equipe terapêutica, juntamente com os professores. “Durante o ano avaliamos o perfil e as habilidades de cada aluno.
Após esta avaliação o setor de serviço social faz contatos com empresas e comércios para avaliação de vagas e de uma possível contratação. O setor solicita a autorização da família e encaminha para providências de documentação e contratação.
Antes e depois da contratação, são realizadas visitas à empresa contratante (assistente social, terapeuta ocupacional e psicóloga da APAE) para orientações na forma de lidar e de falar com o deficiente intelectual. Os funcionários das empresas recebem orientações sobre o comportamento do deficiente intelectual, e aprende sobre a realidade que ele estará vivenciando a partir daquele momento.
“O que eu mais gosto no meu trabalho é conviver com as pessoas. Quando eu comecei a trabalhar era tímido, agora não sou mais”, fala Silva, que também ressalta a importância de ajudar financeiramente em casa. “Ajudo em casa e guardo dinheiro, porque quero ser feliz e ser alguém na vida”, completa o auxiliar de venda da Sapataria São Vicente.
“Para a APAE é um orgulho preparar os alunos não só para o mercado de trabalho, mas principalmente para exercer o papel de cidadão, que é direito de todos”, fala a diretora.
Em dois anos a instituição já incluiu com sucesso cerca de 20 alunos em diversos comércios e indústrias da cidade. “Cada aluno empregado é um troféu que a APAE conseguiu”, finaliza Ângela.